Lisboa Minha Cidade
Mirador de Santa Luzia
domingo, outubro 22, 2006
Azulejaria portuguesa 4
MONUMENTO AO EMIGRANTE AÇORIANO

autor: Raposo de França
nome: MONUMENTO AO EMIGRANTE AÇORIANO
localização: PONTA DELGADA, S. MIGUEL AÇORES
tamanho: 3,50 x 1,20 x 5 M
materiais: BRONZE
técnica: FUNDIÇÃO
ano: 1997
fabricante: FUNDIÇÃO FERNANDO LAGEL I
16
by gabardellesábado, outubro 21, 2006
A Frase
ERASMO
Hoje estou como o tempo...
Apetecia-me falar sobre: a última proposta do governo do estudo do aumento de 2 cêntimos (a acrescer aos 6 cêntimos já negociados) nas negociações havidas com as organizações sindicais da função pública, da chantagem do Ministério da Educação para com as organizações sindicais dos professores, mandando-os parar com os protestos (pressões para o governo) caso contrário terminavam as negociações.
Esta “cultura democrática” deste governo socialista, só é possível num País, onde a “maioria” das pessoas tem receio de opinar, é servil e, submissa. Num País civilizado da dita Europa evoluída, nesta última semana já teriam sido remodelados alguns Ministros e Secretários de Estado.
Aqui neste cantinho à beira-mar plantado, País de brandos costumes, continuamos impávidos e serenos, a ver a banda passar…
E dentro de momentos iremos continuar entretidos com a discussão sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas porque, para o ano temos referendo.
15
do teu ventre
E volto-me de
lado:
e uma perna poisada
algures
no interior do teu corpo
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sexta-feira, outubro 20, 2006
Chave de Honra da Cidade
14
mergulhada na saliva
do útero
na penumbrosa salina
do fundo
ouvindo-te bater o coração,
mais acima
Não aí...
ainda mais acima
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
A Frase
ANTOINE RIVAROL Escritor Francês (1753-1801)
quinta-feira, outubro 19, 2006
13
Sabe a medronho
e a uva
A sumo de chuva
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
A Frase
Jean Racine Poeta e Dramaturgo Francês (1639-1699)
quarta-feira, outubro 18, 2006
12
a plantas:
Vaginais
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
terça-feira, outubro 17, 2006
120 dibujos contra la violencia sexista
A Frase
Ruínas do Convento do Carmo - Lísboa.
by bastien pons 11
As fadas azuis
dos teus olhos
enquanto dormias
iam esvoaçar perto de mim
como pequenas abelhas
do teu útero
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
segunda-feira, outubro 16, 2006
A Frase
MARIO PUZO Escritor Americano (1920-1999)
De regresso...
Cidade de Maputo, vista do Hotel Polanadomingo, outubro 15, 2006
Azulejaria Portuguesa 3

© Photo: chico esperto.
Revestimento de fachada principal em prédio sito na Rua Costa do Castelo - Lisboa.
10
são as pálperas
que fazem o que é
súbito
e escuro
misteriosamente doce
no interior do teu corpo
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sábado, outubro 14, 2006
Tem Piada?
- Conheces a piada do gato?
Maria responde: não.
João diz:
- Tem piada o gato não pia...
9
das tuas raízes
na água salgada
dos teus olhos
a ouvir respirar
o teu corpo
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sexta-feira, outubro 13, 2006
A Frase
Nicolas Poussin Pintor Francês (1594-1665)
Azulejaria portuguesa 2
8
que nos liga:
do chão do teu corpo
ao chão da minha boca
A respirar-te
devagar...
o coração
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
quinta-feira, outubro 12, 2006
7
apenas retomando
o fio
até à tua barriga
o cordão de respirar-te
o sangue
Um sangue tão louro
que eu nem via
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
quarta-feira, outubro 11, 2006
6
Uma placenta luminosa
com a poalha das estrelas
Onde adormeço debruços
no teu sono
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
A Frase
PLATÃO Filósofo Grego (472aC-347aC)
terça-feira, outubro 10, 2006
5
a tua chama
sexuada
Tatuada
Esse orgasmo
de mar
na tua vagina cintilante
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
O ascensor para o inferno
tomou o famoso elevador de Monsieur Eiffel
para subir e baixar e baixar e subir
mas enganou-se no botão
obedecendo aos arquivos da cidade
e desceu e desceu em vez de subir
até ao inferno do senhor Dante
e nunca mais se soube dele
e nunca mais tornou a ser visto
o homenzinho de olhos de peixe
desapareceu para todo o sempre
apesar de haver ainda um estranho odor a
peixe morto
em certos dias…
Lawrence Ferlinghetti nunca soube que o presidente era o mesmo homenzinho de olhos de peixe que viajou no seu poema a caminho do inferno do senhor Dante. Nem que a população se vira obrigada a expulsá-lo para se libertar do cheiro que ele tresandava da alma.
PIRES, JOSÉ CARDOSO, in LISBOA - LIVRO DE BORDO, edições, Dom Quiote, 1997
VELHOS
-Ouve lá, tu preferes sexo ou o Natal?
-Sexo, claro!
Natal há todos os anos, já enjoa.
segunda-feira, outubro 09, 2006
Azulejaria portuguesa
4
das tuas ancas
Uma espécie de
berço
Uma espécie
de barco
Uma espécie de mar
pelo avesso
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
Frase
E.J.PHELPS Advogado Americano (1822-1900)
domingo, outubro 08, 2006
Contagem Decrescente I
3
larga
Um adro
amplo
Onde podia dormir
aos fins de semana
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
Lisboa
Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico de um miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro, e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa-dos-ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um reio menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreno batido pelo sol. Em frente é o rio que orre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos.
PIRES, JOSÉ CARDOSO, in LISBOA - LIVRO DE BORDO, edições, Dom Quiote, 1997
2
o tempo das colheitas
Suco e mel
menstruação e leite...
das abelhas
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sábado, outubro 07, 2006
1
Lembro-me do paraíso
no teu interior
O paraíso:
com árvores
e oceanos
Penumbras incessantes
num enredado princípio
E havia também a maçã
do teu útero
sítio: da tentação no início
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sexta-feira, outubro 06, 2006
UMA PEDRA SOBRE O RIO
Começou, aos poucos, a deixar de ouvir o que se discutia na sala de reuniões. Para quê tentar convencer quem não queria ser convencido? Por detrás da cabeça do colega que estava à sua frente, conseguia ver o céu, as copas das árvores a baloiçar, e foi-se deixando afastar daquela sala, com alguma sensação de libertação, olhando lá para fora.Tantas vezes lhe ocorria aquele pensamento de que tudo lá fora continuava, indiferente ao que se passava, ao que se decidia. Sentia-se atraída por essa ideia de deixar as coisas correrem, indiferente.
Seguia, de tempos a tempos, as conclusões bombásticas dos colegas, ia dizendo uns «claro» esquivos, escrevinhava gatafunhos que não tencionava vir a decifrar. Estava tão longe daquela sala. Sentia crescer aquela desilusão que a acompanhava ultimamente, sentia que tudo aquilo era um enorme desperdício de tempo, que nada valia a pena. Angustiava-se por se sentir assim, mas cada vez mais lhe acontecia perceber que tudo o que fazia tinha perdido o sentido.
Quando a reunião finalmente terminou, estava cansada e aborrecida. Resolveu sair logo do edifício, antes que alguém se lembrasse de lhe pedir alguma opinião, de comentar alguma decisão. Começou a andar pela rua fora, arrastando a pasta e a desilusão, as pernas pesadas e os olhos no fundo das órbitas.
Santos, Margarida Fonseca in "Uma Pedra Sobre o Rio", ediçõesDifel, S.A.
Minha Mãe Meu Amor
bebendo-te o perfil
bordando-te o perfil
a ponto-pé-de sombra
e de flor
a ponto-pé-de amor.
Respirar-te o mover
bebendo-te o sorrir
bordando-te o sorrir
a ponto-pé-de parto
e de partir
a ponto-pé-de afago
e de flor:
minha mãe
meu amor
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
quinta-feira, outubro 05, 2006
SINFONIA EM BRANCO

Ainda havia algum tempo antes que ela chegasse.
A tarde abafada de verão descolava-se da estrada sob forma de poeira e se espreguiçava no ar. Tudo estava quieto, ou quase quieto, e mole, inchado de sono. Um homem de olhos muito abertos (e transparentes de tão claros, coisa que não era comum) fingia vigiar a estrada com seus pensamentos. Na verdade, os olhos mapeavam outros lugres, vagavam dentro dele, e catavam cacos de memória como uma criança que colhe conchinhas na areia da praia. Às vezes o presente se intrometia, se interpunha, e ele pensava vou usar terra em meu próprio trabalho. Mas então o mundo marrom e ressecado e empoeirado contraía-se novamente para ver passar um branco virginal, uma moça vestida de branco que evocava um quadro de Whisler.
Tomás lembrava-se dela. O amor. Onde estaria?
O amor era como a marca pálida deixada por um quadro removido após anos de vida sobre uma mesma parede. O amor produzira um vago intervalo em seu espírito, na transparência dos seus olhos, na pintura envelhecida da sua existência. Um dia, o amor gritara dentro dele, inflamara suas vísceras. Não mais, Mesmo a memória era incerta, fragmentada, pedaços do esqueleto de um monstro pré-histórico enterrados e conservados pelo acaso, impossível recompor um todo íntegro. Trinta anos depois. Duzentos milhões de anos depois.
A ALMA DANADA
quarta-feira, outubro 04, 2006
Na idade da pedra...
- O rei... Pléc, pléc, pléc (todos gravam uma coroa)
- ...é forte... Pléc, pléc, pléc (todos gravam um leão)
- ...e viril... Pléc, (?)... (todos os alunos param e ficam pensativos)
De repente, o Joãozinho Pedregulho quebra o silêncio:
- Professora, "viril" escreve-se com um ou dois testículos?
A Matemática Tem Destas Coisas...
20 comer.
FRASE
GIUSEPPE PARINI, Poeta italiano (1729-1799)
terça-feira, outubro 03, 2006
Play of Light IV
Foto: Christiane Zschommler A voz do meu povo
que eu canto este meu sangue este meu povo.
Dessa torre maior em que apenas sou grande
por me cantar de novo.
Cantar como quem despe a ganga da tristeza
e põe a nu a espádua da saudade
chama que nasce e cresce e vive e morre acesa
em plena liberdade
É da voz do meu povo uma criança
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo-verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.
É da voz do meu povo uma traineira
que já não pode mais andar à toa
e assento a minha voz na Praça da Ribeira
na praça da canção que tem Lisboa.
Santos José Carlos Ary,in "As Palavras das Cantigas", edições Avante!
Até ao meu regresso...
segunda-feira, outubro 02, 2006
LISBOA (3)
e o arrepio do canto espalhou-se pelas ruas
onde o tempo passa lento e branco em direcção
a outro tempo igual
ao fundo do restaurante o olhar preso em ti
da dama do charuto - café flor do mundo
encruzilhada onde se dorme frente à europa
apercebida como uma sombra que se afunda
nas veias dos arrumadores de carros
imaginaste que em ti permaneceria
esse barulho metálico de continentes abandonados
enfim
ontem foi o último dia
em que conseguite calçar-te - essa guerra
que te deixou por sarar
um túnel de veludo ensanguentado na cabeça
AL BERTO in " O MEDO ", Assírio & Alvim







































