
Lisboa Minha Cidade
Mirador de Santa Luzia
domingo, outubro 29, 2006
sexta-feira, outubro 27, 2006
Até 4ª.
É pena serem só quatro dias, mas já dão para matar as saudades.
A Frase
La Bruyère , Jean de
quinta-feira, outubro 26, 2006
Cesariny e o retrato rotativo de Genet em Lisboa

ao lusco-fusco Mário
quando a branca égua flutua ali ao príncipe real
as bichas visitam-nos com suas cabeças ocas
em forma de pêndulo abrem as bocas para mostrar
restos de esperma viperino debaixo das línguas e
com o dedo esticado acusam-nos de traição
sabemos que estamos vivos ou condenados a este corpo
cela provisória do riso onde leonores e chulos
trocam cíclicos olhares de tesão e
ficamos assim parados
sem tempo
o desejo diluindo-se no escuro à espera
que um qualquer varredor da alba anuncie
o funcionamento da forca para a última erecção
lá fora Mário
longe da memória Lisboa ressona esquecendo
quem perdeu o barco das duas ou se aquele que caminha
será atropelado ao amanhecer ou se o soldado
que falhou o degrau do eléctrico para a ajuda fode
ou ajuda ou não ajuda e se Lisboa num vão de escadas
é isto
tão triste Mário sobre o Tejo um apito
Berto, Al in O MEDO edição ASSÍRIO & ALVIM
A Frase
quarta-feira, outubro 25, 2006
OS 4 CAVALEIROS DO APOCALIPSE
nome:OS 4 CAVALEIROS DO APOCALIPSE
peso: 5kg
tamanho:50X60X40
materiais:BRONZE, PEDRA E ACRÍLICO
ano:ABRIL 1998
terça-feira, outubro 24, 2006
Os Teus Olhos

segunda-feira, outubro 23, 2006
17
meu amor
Eu fico no teu fundo
A sentir o teu mar
passar-me perto
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
domingo, outubro 22, 2006
O Queijo de Bola Vermelho

Já comecei a guardar algumas revistas, estou a pensar nos livros que deverei levar, nos CDs que me pediram e, não me esquecerei do queijo português que me solicitaram.
A ausência do País natal tem destas coisas.
Lembro-me que quando jovem, aquando da minha mobilização para a Guerra do Ultramar, ali chegado, senti imensas “saudades” das torradas que então comia ao pequeno-almoço. Havia colegas que se metiam comigo, certamente porque não tinham o hábito de comer torradas, nem ao pequeno-almoço, nem a qualquer outra refeição...
Vem isto a propósito da Inês que se encontra em Valência a estudar há pouco mais de um mês, me ter “pedido” que quando a fosse visitar não me esquecesse de lhe levar um queijo de bola encarnado (tipo flamengo) porque de entre outras coisas, sentia saudades do queijo português.
Estou quase de partida, penso não me esquecer dos livros, das revistas, dos CDs, mas mesmo que me esqueça de algum livro, ou de algum CD, uma coisa ela poderá ter a certeza; é a de que não me esquecerei do queijo que ela tanto gosta!
Azulejaria portuguesa 4
MONUMENTO AO EMIGRANTE AÇORIANO

autor: Raposo de França
nome: MONUMENTO AO EMIGRANTE AÇORIANO
localização: PONTA DELGADA, S. MIGUEL AÇORES
tamanho: 3,50 x 1,20 x 5 M
materiais: BRONZE
técnica: FUNDIÇÃO
ano: 1997
fabricante: FUNDIÇÃO FERNANDO LAGEL I
16

sábado, outubro 21, 2006
A Frase
ERASMO
Hoje estou como o tempo...
Apetecia-me falar sobre: a última proposta do governo do estudo do aumento de 2 cêntimos (a acrescer aos 6 cêntimos já negociados) nas negociações havidas com as organizações sindicais da função pública, da chantagem do Ministério da Educação para com as organizações sindicais dos professores, mandando-os parar com os protestos (pressões para o governo) caso contrário terminavam as negociações.
Esta “cultura democrática” deste governo socialista, só é possível num País, onde a “maioria” das pessoas tem receio de opinar, é servil e, submissa. Num País civilizado da dita Europa evoluída, nesta última semana já teriam sido remodelados alguns Ministros e Secretários de Estado.
Aqui neste cantinho à beira-mar plantado, País de brandos costumes, continuamos impávidos e serenos, a ver a banda passar…
E dentro de momentos iremos continuar entretidos com a discussão sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas porque, para o ano temos referendo.
15
do teu ventre
E volto-me de
lado:
e uma perna poisada
algures
no interior do teu corpo
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sexta-feira, outubro 20, 2006
Chave de Honra da Cidade
14
mergulhada na saliva
do útero
na penumbrosa salina
do fundo
ouvindo-te bater o coração,
mais acima
Não aí...
ainda mais acima
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
A Frase
ANTOINE RIVAROL Escritor Francês (1753-1801)
quinta-feira, outubro 19, 2006
13
Sabe a medronho
e a uva
A sumo de chuva
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
A Frase
Jean Racine Poeta e Dramaturgo Francês (1639-1699)
quarta-feira, outubro 18, 2006
12
a plantas:
Vaginais
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
terça-feira, outubro 17, 2006
120 dibujos contra la violencia sexista
A Frase
Ruínas do Convento do Carmo - Lísboa.

11
As fadas azuis
dos teus olhos
enquanto dormias
iam esvoaçar perto de mim
como pequenas abelhas
do teu útero
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
segunda-feira, outubro 16, 2006
A Frase
MARIO PUZO Escritor Americano (1920-1999)
De regresso...

domingo, outubro 15, 2006
Azulejaria Portuguesa 3

© Photo: chico esperto.
Revestimento de fachada principal em prédio sito na Rua Costa do Castelo - Lisboa.
10
são as pálperas
que fazem o que é
súbito
e escuro
misteriosamente doce
no interior do teu corpo
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sábado, outubro 14, 2006
Tem Piada?
- Conheces a piada do gato?
Maria responde: não.
João diz:
- Tem piada o gato não pia...
9
das tuas raízes
na água salgada
dos teus olhos
a ouvir respirar
o teu corpo
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sexta-feira, outubro 13, 2006
A Frase
Nicolas Poussin Pintor Francês (1594-1665)
Azulejaria portuguesa 2
8
que nos liga:
do chão do teu corpo
ao chão da minha boca
A respirar-te
devagar...
o coração
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
quinta-feira, outubro 12, 2006
7
apenas retomando
o fio
até à tua barriga
o cordão de respirar-te
o sangue
Um sangue tão louro
que eu nem via
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
quarta-feira, outubro 11, 2006
6
Uma placenta luminosa
com a poalha das estrelas
Onde adormeço debruços
no teu sono
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
A Frase
PLATÃO Filósofo Grego (472aC-347aC)
terça-feira, outubro 10, 2006
5
a tua chama
sexuada
Tatuada
Esse orgasmo
de mar
na tua vagina cintilante
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
O ascensor para o inferno
tomou o famoso elevador de Monsieur Eiffel
para subir e baixar e baixar e subir
mas enganou-se no botão
obedecendo aos arquivos da cidade
e desceu e desceu em vez de subir
até ao inferno do senhor Dante
e nunca mais se soube dele
e nunca mais tornou a ser visto
o homenzinho de olhos de peixe
desapareceu para todo o sempre
apesar de haver ainda um estranho odor a
peixe morto
em certos dias…
Lawrence Ferlinghetti nunca soube que o presidente era o mesmo homenzinho de olhos de peixe que viajou no seu poema a caminho do inferno do senhor Dante. Nem que a população se vira obrigada a expulsá-lo para se libertar do cheiro que ele tresandava da alma.
PIRES, JOSÉ CARDOSO, in LISBOA - LIVRO DE BORDO, edições, Dom Quiote, 1997
VELHOS
-Ouve lá, tu preferes sexo ou o Natal?
-Sexo, claro!
Natal há todos os anos, já enjoa.
segunda-feira, outubro 09, 2006
Azulejaria portuguesa
4
das tuas ancas
Uma espécie de
berço
Uma espécie
de barco
Uma espécie de mar
pelo avesso
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
Frase
E.J.PHELPS Advogado Americano (1822-1900)
domingo, outubro 08, 2006
Contagem Decrescente I
3
larga
Um adro
amplo
Onde podia dormir
aos fins de semana
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
Lisboa
Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico de um miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro, e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa-dos-ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um reio menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreno batido pelo sol. Em frente é o rio que orre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos.
PIRES, JOSÉ CARDOSO, in LISBOA - LIVRO DE BORDO, edições, Dom Quiote, 1997
2
o tempo das colheitas
Suco e mel
menstruação e leite...
das abelhas
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim
sábado, outubro 07, 2006
1
Lembro-me do paraíso
no teu interior
O paraíso:
com árvores
e oceanos
Penumbras incessantes
num enredado princípio
E havia também a maçã
do teu útero
sítio: da tentação no início
Horta, Maria Teresa, in "Minha Mãe Meu Amor" edições rolim